
O que mostram os dados do MTE
Estudo da Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho analisou benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo INSS associados ao código CID F63.0, referente ao jogo patológico como diagnóstico principal ou secundário.
O número de beneficiários passou de 67 em 2023 para 157 em 2024 e chegou a 361 em 2025. O Ministério relaciona parte dos casos mais recentes ao crescimento das apostas eletrônicas.
Perfil dos trabalhadores identificados
Entre os trabalhadores com vínculo ativo que receberam o benefício no período analisado, 71% eram homens e 29% mulheres. A faixa de 30 a 39 anos concentrou 44,1% dos casos. Os serviços responderam por 54%, a indústria por 23% e o comércio por 20%.
Esses números ajudam a dimensionar o problema, mas não devem ser utilizados para criar perfis de suspeição ou práticas discriminatórias. A avaliação clínica cabe aos profissionais de saúde habilitados.
Possíveis impactos no ambiente de trabalho
A ludopatia pode estar associada a sofrimento emocional, endividamento, dificuldade de concentração, privação de sono, conflitos familiares e necessidade de afastamento. No trabalho, esses efeitos podem aparecer como queda de atenção, mudanças de comportamento, atrasos ou dificuldades para executar atividades, mas nenhum desses sinais isoladamente confirma um diagnóstico.
Como empresas podem atuar de forma responsável
- oferecer campanhas educativas sobre apostas, saúde mental e riscos financeiros;
- divulgar canais internos e públicos de acolhimento e atenção à saúde;
- capacitar lideranças para conversar sem julgamentos, ameaças ou exposição;
- garantir confidencialidade e proteção dos dados pessoais e médicos;
- avaliar fatores da organização do trabalho que agravem sofrimento, pressão ou jornadas excessivas;
- evitar empréstimos informais, punições automáticas e tentativas de diagnóstico pela chefia;
- encaminhar a pessoa para atendimento profissional quando houver consentimento ou necessidade.
Relação com os riscos psicossociais
A notícia também amplia o debate sobre saúde mental e gerenciamento de riscos. A empresa deve considerar os fatores relacionados à organização do trabalho dentro do processo de gerenciamento, conforme o contexto da atividade. Saiba mais em nosso conteúdo sobre NR-1 e riscos psicossociais.
Isso não significa registrar a condição pessoal de um trabalhador no inventário de riscos. O foco preventivo deve permanecer nos perigos e fatores ocupacionais coletivos, enquanto informações clínicas são tratadas pelos serviços de saúde com o devido sigilo.
Fonte oficial
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica, psicológica ou jurídica. Situações individuais devem ser conduzidas com respeito, confidencialidade e apoio profissional.